1. Tenho acompanhado com algum interesse
tudo o que se vai dizendo por aí, a favor e contra o êxodo de venezuelanos
madeirenses. A todos nós este regresso diz-nos respeito de alguma forma e vai
lançar-nos uma série de desafios.
2. Os discursos incendiários que vamos
assistindo contra as ajudas que os governos - nacional e regional –
supostamente venham a disponibilizar, trazem o mesmo veneno xenófobo e racista,
que ouvimos contra os refugiados que fugiam das guerras do Médio Oriente. O mal
não está em quem precisa de ajuda perante uma urgência e nessas circunstâncias
não podem existir condições para que a ajuda se faça. O mal está em quem não
olha a circunstâncias para ser desumano e aproveitar para escorrer veneno e
outras porcarias sem ter em conta o sofrimento da desgraça alheia. Mas quando
está aflito deve tomar a dianteira para implorar compaixão.

4. Por isso, nesta hora o que deve estar
em causa é que somos chamados a receber Venezuelanos que passam por
dificuldades e que estão numa situação de emergência. É isso que nos deve mover,
fora de condições tolas, receber de coração aberto quem chega. Não nos falta
espaço e precisamos que entrem pessoas, para que engrossem de sangue novo a
nossa frágil população envelhecida e carente de crianças. Tomara que fossem
povoadas tantas freguesias da nossa terra, que pouco falta para se tornaram
lugares fantasmas.
5. Não é hora de xenofobias
nem muito menos a hora de acerto de contas. Não nos compete fazer isso, porque
nós madeirenses várias vezes fomos sabendo o que é estar em situação de emergência
e necessitados de solidariedade. Não estamos muito longe disso. Por isso, de
acordo com as nossas possibilidades, agora chegou a hora do acolhimento e da
solidariedade com aqueles que precisam de nós. Embora isso não seja condição, mas
se ajudar a quebrar as investidas da maldade, pois então pensemos que nestes
venezuelanos que necessitam de ajuda, escorre nas suas veias sangue madeirense.
Sem comentários:
Enviar um comentário