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sábado, 10 de novembro de 2012

Aquela hora da criação

Diz-se em pequeno ensaio poético... Dedicado a todos os desamparados das últimas intempéries destrutivas na nossa querida ilha da Madeira.
Os descampados do sonho pintaram em sangue
O sofrimento enorme da impotência
Quando os desejos profundos da alegria
Não tiveram resposta da compaixão e da ternura.
Mas uma luta cheia de esperança incontida
Deitou mão solidária a quem padece de amor.

Lá estás toda entregue à procura da vida
Que se ergue das cinzas para a glória
Pois no olhar compadecido te desvelas
Como a Fénix disse em cima do brilho
Da paz ressuscitada na suavidade da tua mão.

Nesta dor de morte as lágrimas disseram
Do ciclo do sangue à porta do ser
Quando vi a certeza sublime da dedicação
De uma flor delicada entregue ao prazer
De uma festa interior que os deuses
Enfeitaram nesta hora que te vejo
Presente na leveza sustentável de um carinho.

Nada, mas mesmo nada pode reter
Na prisão da morte
O gosto forte da liberdade.

Em ti vejo essa luz em arco
Que os densos mistérios do mundo
Pintaram na estética da bondade
Naquela hora da criação.

E que mais dizer senão da alegria
De saber do teu existir dentro
Da serenidade que se fez ofertório
Na liturgia do abraço e do sorriso.
                                                              José Luís Rodrigues

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