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segunda-feira, 18 de março de 2013

Quando a Igreja se torna um circo

Pouco mais de um mês antes da histórica resignação do Papa Bento XVI, constou que vinha aí um documento do Vaticano com normas precisas sobre como celebrar a missa... Realmente, o que o mundo hoje mais precisava era disso mesmo, normas, muitas normas sobre como devem estar vestidos os padres quando presidem à celebração das Eucaristias. Mas, o melhor e que o Vaticano muitas vezes parece esquecer, é que Deus habita o coração de todos independentemente da indumentária que cada um ostenta. O Papa Francisco começa a dar sinais interessantes sobre esta sobriedade, simplicidade ao jeito de Jesus Cristo. A ver vamos em que se traduz para toda a Igreja Católica.
Acerca de um mês e meio quando soube da notícia sobre a publicação do documento do Vaticano, que essencialmente falaria das vestimentas clericais escrevi o seguinte.
O pior de tudo é que a 50 anos da celebração do maior acontecimento do século passado, o Concílio Vaticano II, que marcou uma grande viragem na Igreja Católica e que a colocou no caminho do desprendimento e da opção preferencial pelos mais pobres e que no contexto deste ano marcou a celebração destes 50 anos do Concílio com um ano sobre a fé. Agora lembrou-se que pode ser importante dar consistência ao circo que marca alguma Igreja nos tempos que correm.
Alguma Igreja Católica actualmente está a ser marcada pelo circo, atraiçoando a frescura e a grande viragem que o Concílio Vaticano II assinalou. Hoje, o Concílio vai sendo remetido à moda da aposentação antecipada e o mofo de muita coisa vai voltando em força. Por exemplo, as reflexões alarmantes estão a surgir por todo o lado. E nós vamos constatando que o gosto pela indumentária eclesiástica ganha contornos de autênticos ditames da moda e das regras mercantilistas da sociedade de consumo onde estamos inseridos.  
Assim sendo, as propostas cristãs foram-se transformando em mercadorias, que podem ser compradas ou rejeitadas de acordo com os caprichos ou gostos consumistas de cada um. A religião das imagens fortes foram tomando conta de alguma Igreja com os imensos grupos de cariz carismáticos que nasceram por todo o lado como cogumelos, tomando conta de alguns padres, que sucumbiram à tirania do jogo das emoções para seduzir as pessoas, especialmente as mais vulneráveis.
Desta forma, foram sendo enviadas às urtigas as ideias que faziam da Igreja «o povo de Deus», a participação de todos os batizados na vida da Igreja com direitos e deveres, surgiram as estrelas da religião espetáculo, há profissionais para venderem espetáculos religiosos, os «kits da salvação», as bênçãos para dar vazão da todos os caprichos, livros marianos carregados de imagens emotivos, vestimentas caríssimas de todas as cores e com todos os modelos, imagens que são autêntica bijuteria religiosa que são compradas a preço altíssimos, uma série de coisas que servem apenas para encher os bolsos de quem se aproveita da vulnerabilidade e da fragilidade das pessoas para fazer negócio. Perante isto, pergunte, e o povo? - O povo permanece mudo e inerte... O regresso do clericalismo em força.
Nada disto aponta para o céu. Antes serve o vazio intelectual e espiritual que persegue muita da expressão religiosa de hoje. Então temos muitos preocupados com o acessório, o culto das imagens, as indumentárias e o regresso de muitas delas que tinham sido arrumadas nos armários, agora regressam bafientas com o mofo anacrónico de um passado arrumado com o Concílio Vaticano II, mas que a incultura atual não pretende estudar nem muito menos saber que existiu. Antes procura o poder pelo poder, a vaidade e a distância porque «carne sagrada» em detrimento dos outros que estão fora e que devem se remeter à indiferença ou a meros espetadores que os iluminados, os escolhidos vão fazendo passar. As estrelas espirituais que pululam por aí são os «pop star» que não remetem as pessoas para o céu, mas para um paraíso ilusório revestido de fantasia.
Face a este panorama não nos surpreende que tenha voltado nalguns meios, ditos profundamente religiosos, o índex (lista de livros proibidos), modelos, catálogos, preçários e marcas de vestimentas eclesiásticas como acontece com tudo o que compõe a sociedade mercantilista e consumista de hoje.
Agora, neste contexto não podiam ser mais animadores os sinais de Papa que se chama Francisco, um irmão entre irmãos, que saúda como o comum do mortais (Bom dia, Boa tarde e boa noite) ou então que deseja um «bom almoço» à multidão que o escuta. É um como nós. Isso muda imensa coisa para já e outras se seguirão, porque em tudo isto, está a vitória do Espírito Santo e mais se reforça a ideia que contra este «Mistério» ninguém neste mundo pode fazer nada que trave esse «vulcão» que vem de Deus.     

1 comentário:

rosa-branca disse...

Meu amigo, que interessa a indumentária quando por vezes se tem mau intimo. Vivemos no mundo do consumismo e nada mais parece interessar. Ás vezes um sorriso, um abraço, uma palavra é a coisa mais valiosa que se pode dar e não custa nada. Gostei do seu texto. Fique bem e boa semana